Carlos E. Zunino

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

2026


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Vem, me deixar o gosto do paraíso,

Depois, parte, sem deixar partido... 

Vem, me deixar o sabor do paraíso, 

Antes, repartir o pão que o diabo amassou... 


Coerente sua visão, ainda que incompleta...

Suaviza o mau olhado... 

Somada, tuas raízes:


Qual máscara, vc vai usar,

quando nenhuma sobrar ?

Furacão não é destino...

Que personagem irá dissimular,

Quando nenhum ressoar?

duração não é infinito...


Âncorar pra sempre no cais do detalhe,

não é aconselhável...

Mais bonito, é parecer...

Menos feio, é aparecer... 


Intensidade não garante sentido. 

Permanência não garante verdade.

Quem se fixa demais no fragmento perde o horizonte.


Pode ser só incêndio. 

O sentido vem quando algo permanece em nós, não quando nos consome.


Não idolatre o pico.

Não confie no tempo,

nem na atitude isolada.

Não confunda, a parte, com o destino.

Não funda o agora, com o pra sempre...

 ...ainda que o velho passado

retorne disfarçado e ajoelhado.


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Ego 


Meu amigo umbigo, sinto dizer,

O universo não gira em volta da sua ferida..

Paranoias e Distúrbios sociais, 

não podem mover seu mundo...

Respira, deixa a luz do sol entrar nos seus olhos...

Respira, deixa o alvorecer do anoitecer te beijar...

Força e consciência, não vão te mudar...

Fé e consistência, não vão te salvar...

Foco e constância, não vão te aliviar... 

O mundo não te deve sentido,

mas te oferece chão.

Caminha nele, ainda que em vão... 

Chão sem promessa. Caminho sem aplauso.

Siga, mesmo sem testemunha... 

Atraves

se a presença...


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O Limiar


Não foi quando tudo fez sentido.

Foi quando ele aceitou atravessar

sem sentido algum.

O limiar não era um portal visível.

Era um segundo a mais de permanência

onde antes ele fugia.

Ali, o impulso pediu ação.

A consciência pediu espera.

E ele não escolheu vencer —

escolheu não romper.

Esse foi o passo.

Nada externo mudou.

O dia seguiu comum.

Mas por dentro,

uma antiga negociação terminou.

Ao cruzar, ele perdeu algo:

a fantasia de retorno.

Não dava mais para culpar o passado

nem prometer versões futuras.

Do outro lado,

não havia prêmio.

Havia chão.

E pela primeira vez,

ele pisou inteiro

no que sustenta.

Isso foi a travessia.

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Desejo reprimido 


Mesmo, abrindo alguns portais...

O coração quer permissão...

Pra dialogar... 

Por algo, completamente contraditório...


Não quero me machucar...

Não quero te machucar...

Só vc ainda não percebeu... 

Qu'Eu não sou pra casar... 


Frequentemente, observo sinais...

Frequentamos, os mesmos locais... 

Frequências operam virais... 

Por coisas, efêmeras e imutáveis...


Não quero me machucar...

Não quero te machucar...

Só vc ainda não percebeu... 

Qu'Eu não sou pra casar... 


Vc me trouxe vinho,

Apesar, dos pesares,

Vc sabe que não.... 

Que não sou pra casar...

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Lave suas mãos.

Joguei fora suas roupas.

Ano velho que vai, ano novo que chega.

Menino, troca de chuteira comigo.

Amigo, na boa ou na ruim, quero estar contigo.

Presenças ilustres. Grandes convidados.

Cumprimentos especiais, saudações e mensagens quase icônicas.

Assim começa o ano:

uma ambientação luxuosa —

não de ostentação vazia,

mas sem miséria, sem medo, sem aperto.

Pose e postura.

Leveza.

Diversão.

E tudo aquilo que enche um belo prato de ironia.

Estar um degrau acima do ano anterior

não é acaso, nem discurso motivacional.

É fruto de dedicação intensa,

perseverança real,

de ir até o fim quando seria mais fácil parar.

Eu me superei.

Não desisti.

Lutei.

Mudei.

Me transformei.

E é daí que nasce o agora:

o momento especial da mente,

a respiração tranquila,

quase inebriada pela clareza.

Boa conexão entre palavras.

Frases que conduzem.

Resoluções que não travam — avançam.

Presença.

Clareza.

Propósito.

Paciência.

Significado.

Merecimento.

Meritocracia sem ilusão.

Politicagem compreendida — não idolatrada.

Boa remuneração.

Reconhecimento justo.

Como digo sempre:

melhor que a encomenda.

Comunicação assertiva.

Atenção à entonação.

Articulação.

Oratória.

Saber preencher lacunas.

Relacionar uma coisa à outra.

Como aprendi em 2016.

Como sigo aprendendo em 2026.

Obrigado, Carlos Z.

Você é memorável.

Sem fantasia, sem autoengano:

você está exatamente no caminho que precisa estar

para chegar onde deseja ir.

Axé.

Avante.

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